Janela de Sorrisos

Resenha: Uma História Meio que Engraçada

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Uma história Meio que Engraçada é um livro escrito por Ned Vizzini em 2005 e publicado aqui no Brasil no ano de 2015. O livro conta a história de Craig, um adolescente de 15 anos que se vê em uma dilema. Algo que ele lutou muito para conseguir, que deveria o deixar feliz, acabou causando uma confusão gigantesca de sentimentos. Um dos seus objetivos era passar para a concorrida escola Executive Pre-Professional High School de Manhattan. Então ele passa dias e noites estudando para o exame e se isola de tudo e todos. Ao conseguir a aprovação, Craig pensara que seus dias de glória começariam. Mas é aí que a sua vida desanda.

"Hoje tem coisa demais pra você comprar, e jeitos demais de você passar o tempo, e especialidades demais que você precisa começar a dominar já desde muito cedo na vida."

Ele é um garoto aparentemente normal. Tem amigos e vai a festas, mas após a tão sonhada aprovação, Craig percebe que ele não é um destaque na nova escola. Pelo contrário: ele é somente um garoto comum e dentro da média. Com essa confusão acontecendo dentro de si, o menino aos poucos vai percebendo e aceitando que ele está passando por depressão e que precisa de ajuda. Mesmo fazendo tratamento com terapia e remédios a ideia do suicídio passa pela mente de Craig.

Em uma noite de muita tensão onde essa ideia está mais aflorada, ele consegue ligar para o disque suicídio e decide então se internar em um hospital psiquiátrico. Lá, ele acaba tendo que ficar por 5 dias. O que acaba sendo uma experiência inusitada, mas muito valiosa, porque ele passa a conhecer um pouco mais das pessoas daquele lugar; suas vidas, seu passado e o porquê estão ali. E percebe que não há nada de errado em pedir ajuda.

"Porque eu não estava sendo capaz de lidar com o mundo real."

Uma História Meio que Engraçada é narrado em primeira pessoa. Ned escreve sobre depressão sem deixar de colocar um pouco de humor em suas páginas. E sem deixar que a história se torne menos importante. Durante a narrativa, Craig se preocupa em dar detalhes sobre sua vida antes de descobrir e admitir que sofria de depressão. Somos apresentados a sua família e amigos. O personagem nos mostra o conceito de por que sua vida desandou. Muitas vezes o próprio garoto chegou a pensar que o que tinha não era nada sério. E quantas vezes as pessoas também não olham para a depressão com desdém, não é mesmo? Então essa atitude do personagem é compreensível.

"E há estudos que mostram que um quinto dos americanos sofrem de algum distúrbio mental, e que o suicídio é a segunda maior causa de morte entre os adolescentes, e esse lixo todo… Quer dizer, todo mundo está com problemas."

Essa história me marcou de um jeito inexplicável. Não só por se tratar de um tema importante, mas pela forma de abrir os olhos de muitos de nós. Nós não temos como medir se o problema que a outra pessoa está passando ou não é motivo para que ela fique tão mal ou tenha depressão. Nós não devemos julgar. Só devemos entender que nem todo mundo sente da mesma maneira. O que pra mim é nada, para o outro pode ser tudo. E o autor visivelmente mostra isso em Craig, já que o garoto vai perceber e consegue entender que precisa de ajuda.

"Você gosta de fazer esses desenhos, hein? – Gosto. Isso me ajuda, sabe… ajuda a sair da depressão. Eu vim parar aqui por causa da depressão."

Ned escreveu Uma História Meio que Engraçada baseado na sua experiência em 2004. Assim como o personagem, ele ficou 5 dias internado em um hospital psiquiátrico. Ao sair de lá, começou a escrever sobre essa experiência. Autor de vários livros tendo como temática a depressão, Ned se suicidou em 2013. E ele fez isso na casa em que viveu quando criança e que descreve no livro. Por já ter perdido uma pessoa importante dessa forma, saber dessa informação fez com que o livro me marcasse ainda mais.

"Não é fácil sair da cama. Sei por experiência própria. Você é capaz de ficar ali durante uma hora e meia sem pensar em nada, só preocupado com o que o dia reservou pra você e sabendo que não será capaz de dar conta."

A trama de Ned serviu de base para adaptação para os cinemas, em inglês chamada de It's Kind of a Funny Story e infelizmente tendo sua tradução para o português como Se Enlouquecer não se Apaixone.

Se você gosta ou tem curiosidade de histórias com essa temática, eu recomendo muito que veja o vídeo da Raquel do Pipoca Musical, que indica além de Uma História Meio que Engraçada, outros 12 livros voltados para o tema. O vídeo está extremamente bem feito e com um cuidado imenso em indicar esses exemplares.

 

Título: Uma História Meio que Engraçada  (leia a sinopse aqui)
Autor: Ned Vizzini
Editora: Leya
Gênero:  Young Adult
Páginas: 296
Ano: 2015

 

 

Alguém aí já leu? O que acharam? O que vocês estão lendo no momento? Aceito recomendações de livros!

Ah, vocês podem conferir outras resenhas já feitas aqui no JDS clicando aqui.

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8 comentários
  • AMANDA ALMEIDA

    Só quem já conviveu ou convive com alguém com essa doença, sabe da dimensão dela, e o quanto pode ser destrutiva. Não li e nem assisti ao filme, mas fiquei triste em saber que ele cometeu suicídio. A impressão que eu tive foi que ele sempre escreveu sobre o tema, como uma forma de pedido de socorro, para que as pessoas percebessem o quanto essa doença é séria.

    Abraços,
    Amanda Almeida

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    • Thais

      Oi, Amanda. Sim… É bem devastadora mesmo. Eu tenho um familiar passando por isso atualmente, e é complicado pra quem está de fora da situação, imagina pra própria pessoa. O filme é bom também, mas é aquela coisa, não pega todo contexto da história. Mas tenho a mesma sensação também. Um pedido de socorro, um grito por ajuda…

      Obrigada pela visita! Um beijo.

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  • Isis Tomie

    Que final triste. Infelizmente é uma doença que destrói e trazer a tona as experiências pode ajudar como pode ser um gatilho.

    Ótima resenha.

    Isis

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    • Thais

      Oi, Isis!
      Sim… infelizmente o autor teve esse final triste. Concordo com você, é preciso muito cuidado para falar sobre esse tema. Fico feliz que gostou! Um beijo e volte sempre. 🙂

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  • Aline Lanis

    AAAAAAAAAAAAAAH! Meu livro favorito!

    Esse livro é mto xuxu, que bom que você gostou! ^^

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  • Elô Rodrigues

    Oi Thais <3
    Eu nunca li o livro mas cheguei a ver um pedaço do filme, que até quero ver todo ele e também senti vontade de ler o livro. Essa coisa das traduções dos filmes tem me dado uma raiva nos últimos dias pq é cada coisa que não tem nada a ver, não passa a real história do filme, parece que é outra coisa né?

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    • Thais

      OI, Elô! Que bom rever você aqui <3
      Te recomendo os dois! Vai fundo, viu? Eu preferi o livro, mas isso é normal vindo de mim. Hahaha. Nesse caso mesmo, a tradução do filme passa uma ideia totalmente diferente. Achei super mancada...

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